sábado, 4 de junho de 2011

Mitos sobre o Surdo


Perguntas e respostas:


  • Podemos classificar o individuo surd@ como surdo-mudo ou mudinho?
R: Não! Provavelmente a mais antiga e incorreta denominação atribuída ao surdo. O fato de uma pessoa ser surda não significa que ela seja muda. A mudez é uma outra deficiência. E chamar a pessoa de “mudinho” é pejorativo, é denegrir o individuo.
  • Eu não sei LIBRAS e lá em casa nos comunicamos por gestos. É verdade que se o meu filho aprender a LIBRAS não vai mais conseguir se comunicar comigo?
R: Não! Essa forma de comunicação caseira por gestos, foi a primeira experimentação que o surdo teve de comunicação e se ele está em constante contato com a sua família não esquecerá dela, alem do mais a maioria das pessoas não sabem a LIBRAS então ao longo da vida do surd@ ele terá de fazer adequações a sua comunicação quando for falar ou se dirigir a uma pessoa ouvinte.
  • E correto dizer que a forma do surdo se comunicar é Gestos e Mímicas?
R: Não! A forma do surdo se comunicar se chama Língua de Sinais, aqui no Brasil chamada de LIBRAS e desde de 2002 é reconhecida como a 2ª língua oficial do nosso País.
  • Se o meu filho usar o aparelho auditivo ele vai se curar da surdez e vai voltar a ouvir?
R: Não! O aparelho é paliativo, um auxiliar para que o surdo consiga ouvir os sons mais agudos.
  • Surdo também é deficiente mental?
R: Em mais de 90% dos casos não! A incidência de múltiplas deficiências é muito rara.
  • Os surdos conseguem se comunicar com os ouvintes fazendo leitura labial...
R: Nem sempre! Existem surdos que não conseguem aprender a leitura labial ou muitas vezes os ouvintes falam de maneira muito rápida dificultando o seu entendimento. A leitura labial é uma técnica que habilita, quando muito, a perceber apenas aspectos articulatórios da fala, da fonologia da língua. O importante e imprescindível para que o surdo se torne um cidadão capaz, ciente dos seus deveres e direitos, atuante na sociedade, que tenha conhecimento de mundo, é que ele aprenda a língua de sinais, assim ele não terá perdas, desníveis de conhecimento.
  • É verdade que os surdos são muito nervosos e não gostam dos ouvintes?
R: Nãooooooooo! Para que você compreenda vamos exemplificar a seguinte situação: você vai ao Japão, mas não sabe falar a língua deles nem mesmo a escrita da língua japonesa e uma pessoa após outra começam a falar com você e você não as entende e  tenta falar com elas, mas elas também não te entendem, então alguem tem a idéia de escrever algo para você... Piorou! Aqueles idiogramas não fazem nenhum sentido... COMO VOCÊ SE SENTIRIA? Só de ler já deve ter ficado “nervoso” não é? É assim que os surdos se sentem desde as suas primeiras tentativas de comunicação com os ouvintes, e os primeiros nesse caso, são seus familiares, que também estão tentando se comunicar com você... Um surdo, uma vez,  que vou suprimir o nome dele apenas chama-lo de “J.” disse o seguinte: ... “Às vezes eu me sinto dentro de uma redoma de vidro, quem está fora tenta se comunicar e eu não entendo, e quando eu tento acontece o mesmo a outra pessoa não me entende, e isso me dá uma angustia muito grande!”...
Compreende porque o surdo às vezes demonstra ansiedade? Não é porque ele é nervoso, é porque ele quer se comunicar se fazer entender e nem sempre consegue ser bem sucedido... É frustrante. É por isso que quando ele encontra outro surd@ se sente tão feliz e fica naquele grupo, não é isolamento, é algo que ocorre de maneira natural, assim como se fossemos a outro país e encontrássemos um grupo de falantes da nossa língua, muito provavelmente iríamos querer nos associar com essas pessoas. Dizer que os surdos não gostam dos ouvintes é algo preconceituoso.

Bianca Nunes
Intérprete de Libras na EEB Lauro Müller e EEB Altino C. Da S. Flores
Graduanda do Curso Letras/LIBRAS - UFSC

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Acolhida dos Pequenos (Semana de Adaptação)



Acolher bem o aluno é sempre muito importante, principalmente no início do ano letivo. Mesmo que a criança esteja na mesma escola, com os mesmos amigos, existe uma ansiedade muito grande, é nesse sentido que devemos trabalhar de forma prazerosa esse novo encontro, pois só assim a criança se sentirá acolhida e segura com a nova professora.
Confiança é uma palavra importantíssima quando se trata de iniciar uma nova relação e é importante o professor ter consciência disso e proporcionar ao aluno um ambiente seguro e acolhedor.
Vão algumas dicas  para conduzir bem essemomento:
- Levar os alunos para conhecerem as dependências da escola, quem trabalha, seus nomes e funções.
- O nome dos amiguinhos e da professora deve ficar bem registrado para as crianças.
- Apresentar a sala de aula, os materiais, livros, pastas, brinquedos para assim criar um interesse em relação à classe.
- Atividades bem atrativas e diferentes também são muito importantes nas primeiras semanas. (história com fantoches, caça tesouro, chapéus divertidos, muita música, brincadeiras)
- Recebê-las em espaços diferentes também é muito importante, assim ela vai se familiarizando com todos os espaços da escola. (se for possível)
- A decoração também é muito importante, peça ajuda da turma para fazer a decoração, assim despertarão sentimento de pertença pelo novo ambiente que é a sala de aula।


Fonte: Revista Professoras de Educação Infantil - 2005

Planejamento na sala de aula



OS DIRECIONAMENTOS VINDOS DA COORDENAÇÃO PEDAGÓGICA AJUDAM VOCÊ, PROFESSOR, A ORGANIZAR O ANO, MAS É FUNDAMENTAL PLANEJAR COM DETALHES O TRABALHO QUE SERÁ REALIZADO NA SALA DE AULA. É PRECISO DEFINIR O QUE, QUANDO E COMO ENSINAR. HÁ QUE PREPARAR OS PROJETOS E SEQUÊNCIAS DIDÁTICAS QUE SERÃO UTILIZADOS AO LONGO DO ANO E DISTRIBUÍ-LOS DE ACORDO COM A CARGA HORÁRIA. 

Ensinar bem é... saber planejar

O PLANEJAMENTO DEVE ESTAR PRESENTE EM TODAS AS ATIVIDADES ESCOLARES. IMPROVISOS ÀS VEZES ACONTECEM, MAS NÃO PODEM VIRAR REGRA

O planejamento é a etapa mais importante do projeto pedagógico, porque é nela que as metas são articuladas às estratégias e ambas são ajustadas às possibilidades reais. Existem três tipos de planejamento escolar: o plano da escola, o plano de ensino e a sequência ou projeto didático. O primeiro traz orientações gerais que vinculam os objetivos da escola ao sistema educacional mais amplo. O plano de ensino se divide em tópicos que definem metas, conteúdos e estratégias metodológicas de um período letivo. A sequência didática é a previsão de conteúdo de um conjunto de aulas e o projeto um trabalho mais longo e complexo.

O planejamento escolar é um processo de racionalização, organização e coordenação da atividade do professor, que articula o que acontece dentro da escola com o contexto em que ela se insere. Trata-se de um processo de reflexão crítica a respeito das ações e opções ao alcance do professor. Por isso a idéia de planejar precisa estar sempre presente e fazer parte de todas as atividades — senão prevalecerão rumos estabelecidos em contextos estranhos à escola e/ou ao professor.

Para José Cerchi Fusari, da Faculdade de Educação da Universidade de São Paulo, não há ensino sem planejamento. "Se a escola é o lugar onde por excelência se lida com o conhecimento, não podemos agir só com base no improviso", diz. "Ensinar requer intencionalidade e sistematização." O poder de improvisação é sempre necessário, mas não pode ser considerado regra.

Trabalho coletivo 

Planejar é um ato coletivo que envolve a troca de informações entre professores, direção, coordenadores, funcionários e pais. Isso não quer dizer que o produto final venha a ser um documento complicado. Ao contrário, ele deve ser simples, funcional e flexível.

E não adianta elaborar o planejamento tendo em mente apenas alunos ideais. Avalie o que sua turma já sabe e o que ainda precisa aprender. Só assim você poderá planejar com base em necessidades reais de aprendizagem.

Esteja aberto para acolher o aluno e suas circunstâncias. E, é claro, para aprender com os próprios erros e caminhar junto com a classe.

Planejar requer:
  • pesquisar sempre;
  • ser criativo na elaboração da aula;
  • estabelecer prioridades e limites;
  • estar aberto para acolher o aluno e sua realidade;
  • ser flexível para replanejar sempre que necessário.
Leve sempre em conta:
  • as características e necessidades de aprendizagem dos alunos;
  • os objetivos educacionais da escola e seu projeto pedagógico;
  • o conteúdo de cada série;
  • os objetivos e seu compromisso pessoal com o ensino;
  • as condições objetivas de trabalho.
Com base nisso, defina: 
  • o que vai ensinar;
  • como vai ensinar;
  • quando vai ensinar;
  • o que, como e quando avaliar.

Fonte:HTTP://REVISTAESCOLA.ABRIL.COM.BR/PLANEJAMENTO-E-AVALIACAO/PLANEJAMENTO/ENSINAR-BEM-SABER-PLANEJAR-424802.SHTML


FALTA FUNDAMENTAÇÃO DIDÁTICA NO ENSINO DE MATEMÁTICA


A Matemática sempre foi uma das disciplinas mais temidas nas escolas. Felizmente, muitos professores e pesquisadores têm se dedicado a estudar como as crianças aprendem esses conceitos – que são essenciais para a vida de todos nós.
O baixo desempenho dos alunos em Matemática é uma realidade em muitos países, não só no Brasil. A má fama da disciplina se deve, segundo a especialista argentina Patrícia Sadovsky, à abordagem superficial e mecânica realizada pela escola. Falta formação aos docentes para aprofundar os aspectos mais relevantes, aqueles que possibilitam considerar os conhecimentos anteriores dos alunos, as situações didáticas e os novos saberes a construir. A pesquisadora defende que é preciso aumentar a participação das crianças na produção do conhecimento, pois elas não suportam mais regras e técnicas que não fazem sentido. O caminho é um só e passa pela prática reflexiva e pela formação continuada.
Segundo a pesquisadora, há muitos fatores envolvidos no baixo desempenho, pois a Matemática é apresentada sem vínculos com os problemas que fazem sentido na vida das crianças e dos adolescentes. Os aspectos mais interessantes da disciplina, como resolver problemas, discutir ideias, checar informações e ser desafiado, são pouco explorados na escola. O ensino se resume a regras mecânicas que ninguém sabe, nem o professor, para que servem.
A Matemática que os professores utilizam para ensinar exatamente esses conceitos básicos, carece de fundamentação. Falta ênfase no ensino da disciplina e aprofundamento para estabelecer relações matemáticas.
O ensino da Matemática precisa ter como base a participação ativa, direta e objetiva da criança na elaboração do conhecimento que se quer que ela aprenda. Estudar só faz sentido se for para ter uma profunda compreensão das relações matemáticas, para ser capaz de entender uma situação problema e pôr em jogo as ferramentas adquiridas para resolver uma questão. O aluno que não domina um conhecimento fica dependente do que o professor espera que ele responda.
O profissional de hoje precisa ter uma postura reflexiva, capaz de mostrar que não basta abrir um livro didático em sala de aula para que as crianças aprendam. O trabalho intelectual do professor requer a tomada de decisões particulares e coletivas baseadas em uma sólida bagagem intelectual.
O principal problema dos professores é a formação insuficiente. Não discuto se ela é boa ou ruim, mas tenho certeza de que é insuficiente porque os conteúdos são, hoje, mais complexos. Há 40 anos, esperava-se que um professor de Matemática ensinasse cálculos. Hoje as calculadoras fazem essa tarefa e a sociedade espera desse professor outras competências que possibilitem a formação de crianças autônomas, capazes de ler diferentes formas de representação e de elaborar ideias para novos problemas, além daqueles abordados em sala de aula.

(Compilado do texto “Falta fundamentação didática no ensino da Matemática” – Revista Nova Escola Especial sobre Matemática – Julho de 2007, p. 8, 9 e 10)

quinta-feira, 2 de junho de 2011

O que é a homofobia?



Homofobia caracteriza o medo e o resultante desprezo pelos homossexuais que alguns indivíduos sentem. Para muitas pessoas é fruto do medo de elas próprias serem homossexuais ou de que os outros pensem que o são. O termo é usado para descrever uma repulsa face às relações afectivas e sexuais entre pessoas do mesmo sexo, um ódio generalizado aos homossexuais e todos os aspectos do preconceito heterossexista e da discriminação anti-homossexual.
Manifestações de homofobia internalizada
1. Negação da sua orientação sexual (do reconhecimento das suas atracções emocionais e sexuais) para si mesmo e perante os outros.
2. Tentativas de mudar a sua orientação sexual.
3. Sentir que nunca se é "suficientemente bom" (por vezes tendência para o "perfeccionismo").
4. Pensamentos obsessivos e/ou comportamentos compulsivos.
5. Fraco sucesso escolar e/ou profissional; ou sucesso escolar e/ou profissional excepcional, como forma de ser aceite.
6. Desenvolvimento emocional e/ou cognitivo atrasado.
7. Baixa auto-estima e imagem negativa do próprio corpo.
8. Desprezo pelos membros mais "assumidos" e "óbvios" da comunidade Gay, Lésbica, Bissexual e Transgender.
9. Desprezo por aqueles que ainda se encontram nas primeiras fases de assumir a sua homossexualidade.
10. Negação de que a homofobia/o heterossexismo/a bifobia/a transfobia/o sexismo são de facto problemas sociais sérios.
11. Desprezo por aqueles que não são como nós; e/ou desprezo por aqueles que se parecem connosco.
12. Projecção de preconceitos num outro grupo alvo (reforçado pelos preconceitos já existentes na sociedade).
13. Tornar-se psicologica ou fisicamente abusivo; ou permanecer num relacionamento abusivo.
14. Tentativas de passar por heterossexual, casando, por vezes, com alguém do sexo oposto para ganhar aprovação social ou na esperança de "se curar".
15. Crescente medo e afastamento de amigos e familiares.
16. Vergonha e/ou depressão; defensividade; raiva e/ou ressentimento.
17. Esforçar-se pouco ou abandonar a escola; faltar ao trabalho/fraca produtividade.
18. Controlo contínuo dos seus comportamentos, maneirismos, crenças e ideias.
19. Fazer os outros rir através de mímicas exageradas dos estereótipos negativos da sociedade.
20. Desconfiança e crítica destrutiva a líderes da comunidade GLBT.
21. Relutância em estar ao pé ou em mostrar preocupação por crianças por medo de ser considerado "pedófilo".
22. Problemas com as autoridades.
23. Práticas sexuais não seguras e outros comportamentos destrutivos e de risco (incluíndo riscos de gravidez e de ser infectado com HIV).
24. Separar sexo e amor e/ou medo de intimidade. Por vezes pouco ou nenhum desejo sexual e/ou celibato.
25. Abuso de substâncias (incluíndo comida, álcool, drogas e outras).
26. Desejo, tentativa e concretização de suicídio. 


Factos
- A homofobia/o heterossexismo/a bifobia/a transfobia são formas de opressão , não são simples medos.
- A homofobia/o heterossexismo/a bifobia/a transfobia estão infiltrados na sociedade.
- É difícil não internalizar as noções negativas da sociedade em relação à homossexualidade, bissexualidade e transgenerismo.
- Não temos culpa se internalizamos estas noções negativas.
- Há passos que podem ser dados para reduzir, ou mesmo eliminar, a opressão internalizada.
- Trabalhar para eliminar a opressão internalizada é um processo longo - por vezes de uma vida inteira.

Traduzido por Rita P. Silva de "Internalized Homophobia: From Denial to Action - An Interactive Workshop" de Warren J. Blumenfeld 

O menino cor de breu




O menino nasceu
Com a pele da cor do breu,
Da cor do carvão apagado...
Tinha, no rosto,
O nariz achatado,
Os lábios grossos,
O cabelo do tipo carapinha...
Ah! Que a sua sina
Não seja igual a minha
Que nasci assim também.
Desde pequeno
Alguns me tratavam
Com desdém,
Julgavam-me pertencer
A uma raça inferior
Só pelo fato
Deu trazer na cor
O estigma dos escravizados.
Cresci ouvindo
Insinuações racistas,
Às vezes diretas, explícitas,
Mas, na maioria das vezes,
Ditas veladamente
Num tom de brincadeira inocente
Que não escondia
A intenção discriminatória.
Ao longo da história
Da minha vida,
A discriminação atrevida
Sempre se fez presente.
Pilhérias, gestos,
Comparações maledicentes
Que deixavam a minha alma ferida:
"Preto quando não faz
Na entrada faz na saída!"...
Outras vezes,
A argúcia mais cruel
Umdecia-me os olhos,
Calava a minha voz na garganta:
"Maldita seja
A princesa Isabel!"...
"Ele é um preto
Mas tem a alma branca!"...
Nesta sociedade hipócrita
Que segrega mas nega
Que comete este ato,
Eu, embora meu nariz chato,
E a pele que me veste
Preta como o véu das noites,
Fiz-me um homem de bem
Mesmo em meio aos açoites
Da chibata do preconceito.
Olhei para o menino
Que dormia no leito,
Pro seu cabelo carapinha,
E desejei que a sua sina
Não fosse igual a minha,
Que crescesse e vivesse
Numa sociedade igualitária,
Sem a discriminação arbitrária
Que segrega as criaturas
Pela cor da pele...
Que vivesse sem o peso
Da herança da escravatura,
Que não trouxesse
Na alma a amargura
Pelo nosso vergonhoso degredo,
Que se orgulhasse, enfim, de ser negro...
Como se tivesse me entendido,
No leito, o recém-nascido,
Contemplou-me com um sorriso seu...
Então, lhe disse, carinhosamente:
- Você viverá num mundo diferente
Onde todos serão iguais,
Menino da cor do breu!...

Este poema mostra que o homem mesmo sendo negro, convivendo com aquelas humilhações, pode superar e ser um bom homem.E que este homem esta passando adiante, no caso para o menino, que eles tem que superar este problema, que no futuro terá de acabar.

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Deficiência visual infantil - A formação pessoal e social


As primeiras interações e a construção de vínculos
O mundo do bebê na vida intra-uterina é repleto de sensações agradáveis, de aconchego, movimento, calor, orquestrados pelos variados acordes sonoros produzidos pelo corpo e voz da mamãe.

No primeiro contato com o mundo exterior, o bebê poderá vivenciar experiências nada confortáveis de manipulações bruscas, e até mesmo de estímulos aterrorizantes como luzes fortes, barulhos intensos, frio, e sentir-se desprotegido e perdido no espaço.

O bebê, nesses primeiros momentos de separação e frustração, precisa do aconchego gostoso do corpo da mamãe ou do papai, necessita ser tocado calorosamente e reencontrar o já conhecido por meio da voz delicada da mamãe, que é capaz de lhe dar consolo e tranqüilizá-lo.

É nas primeiras interações com pessoas e meio que o bebê vai organizando suas experiências e assimilando o real. Se essas experiências forem significativas e prazerosas, ele vai internalizando-as, criando novos significados e valores e construindo, assim, seu potencial cognitivo.

Da qualidade dessas primeiras interações, da construção de um vínculo bom, agradável, acolhedor e responsivo é que a criança vai formando uma auto-imagem positiva. Vai se constituindo em um ser em um ambiente que lhe transmite segurança e a motiva a querer explorar o mundo, conhecer, agir, brincar e decidir.

O bebê com deficiência visual, como todo recém-nascido, depende do outro, pais, educadores, cuidadores que dêem acolhida às suas necessidades, desejos, sentimentos, medos e angústias. Ele precisa, mais que as outras crianças, de pessoas disponíveis para lhe descrever o mundo, falar sobre o que acontece, contar como as pessoas agem e brincam para que possam formar suas percepções, interpretar as situações e poder compreender o mundo.

Em virtude da falta de controle visual do ambiente, a criança com deficiência visual pode se sentir muitas vezes insegura diante de situações novas e de pessoas não familiares.

O desconhecido pode gerar tensão, como também os ambientes confusos e ruidosos poderão desorientá-la.

Esses fatores relacionais e ambientais podem acarretar desorganização psíquica, manifesta por comportamento de ansiedade, agitação motora, irritabilidade ou, por outro lado, a criança pode apresentar-se apática, distante e alheia às pessoas e ao meio.

A criança com deficiência visual necessita encontrar, na educação infantil, educadores sensíveis e atentos para compreender as emoções expressas por meio do corpo, do movimento e interpretar as manifestações afetivas dessas crianças, essenciais na construção do vínculo.

O que precisa um bebê com deficiência visual para sentir-se protegido e seguro?
É muito difícil para os pais de uma criança cega a primeira separação. Eles geralmente adiam a ida do filho à escola, temendo que ele fique desprotegido e abandonado. São raros os que têm coragem de matricular o filho, nos primeiros anos de vida, em uma creche.

De uma certa forma, o temor pode ser real, pois o bebê, desde cedo, é capaz de perceber a qualidade da atenção que recebe, se há um canal de comunicação e escuta de suas necessidades, se há espaço para colo e consolo, se há carinho, fala suave e confortante, troca de olhares, toque, sorriso e alegria.

O bebê com deficiência visual também necessita de tudo isso e, como não pode se comunicar visualmente, precisa muito de toque, aconchego, modulações de voz, ser encorajado e motivado a mover-se, a procurar pessoas e objetos, a explorar o mundo a sua volta (Bruno, 1992).

As necessidades básicas de toda criança são movimento, proteção, toque, afeto, cuidados de alimentação e higiene, todos indispensáveis para seu desenvolvimento físico e emocional. A criança com deficiência visual precisa de aconchego, de toque, referência corporal para poder se organizar, e, principalmente, ser tratada com naturalidade, para sentir-se aceita e bem-vinda ao mundo em seu redor. Winnicott, chama isso de contenção. Ser um educador continente é oferecer amparo, suporte e acolhimento às emoções, manifestações e intenções comunicativas das crianças pequenas. Então, a forma de pegar a criança com deficiência visual, de movê-la, de
acolhê-la nos braços, de falar com ela são ações sensório-motoras integradas que lhe permitirão dar sentido às experiências que vivencia.


Fonte:http://arivieiracet.blogspot.com/