sábado, 9 de julho de 2011

Como tornar a comunicação eficiente no âmbito da sala de aula


Há professores que, por falta de conhecimento ou sensibilidade docente, não percebem que são maus comunicadores. A impressão que temos é que se preocupam com a medíocre exposição de sua matéria em detrimento da educação propriamente dita. O professor acha que sua função consiste em transmitir conhecimentos e que é obrigação do aluno ouvir e compreender. Alguns educadores costumam chamar esta tendência ao monólogo de “salivação”, ou seja, o professor fala o tempo todo e os alunos, em atitude de extrema passividade, apenas ouvem. A comunicação entre alunos e professores deve ser bilateral ou multilateral e nunca unilateral. Em outras palavras, os alunos devem expressar livremente suas opiniões, idéias e sentimentos. Portanto, é aconselhável que o mestre promova entre eles debates, discussões, trabalhos em grupos, dinâmicas, incentivando a troca de experiências e informações. A raiz do problema Alguns, têm suas idéias tão mal, ou tão perfeitamente organizadas, que não há neles lugar para a imaginação criativa dos alunos. Quando as idéias do professor estão desorganizadas, sua mensagem é confusa e insegura. Os tais preferem o monólogo, isto é, a criticada “salivação”. Outros costumam ensinar partindo da seguinte premissa: “Se os alunos mais inteligentes dos primeiros assentos entendem o que eu falo, todos os demais também entenderão”. Ora, isso é simplesmente um absurdo! Em relação à linguagem, muitos são os que costumam utilizar conceitos ou termos que ainda não existem na experiência dos estudantes. Ao contrário destes, há os que assumem uma postura bem mais nociva: não se preocupam em enriquecer o vocabulário dos alunos. A maneira de expor a matéria é outro problema que dificulta a boa comunicação entre educadores e educandos. Muitos mestres colocam tantas idéias em cada exposição que somente algumas delas são compreendidas e retidas na mente do aluno. Falar rápido demais, articular mal as palavras, usar voz baixa e em tom monótono são comportamentos igualmente perniciosos. Se existem professores que não utilizam meios visuais para comunicar conceitos, ou relações que exigem apresentação gráfica, há também os que utilizam recursos visuais de forma inadequada: por exemplo, empregam o quadro-negro sem planejamento algum, escrevendo e desenhando ora aqui, ora ali, com muita confusão e desordem. Aqui está um breve resumo dos principais problemas que atrapalham a comunicação entre docentes e discentes em qualquer nível do processo ensino-aprendizagem. A eficiência da comunicação resulta fundamentalmente do seguinte: clareza, precisão, simplicidade, criatividade e objetividade da mensagem. Identifique o foco de interesse da aula Seus alunos têm interesse no conteúdo da aula? 2) Em que tipo de matéria eles têm interesse? 3) Você costuma variar seus métodos? Os objetivos e os conteúdos merecem atenção especial. Refletem eles a necessidade e o interesse do aluno? É a partir desse foco que será realizado o contexto, ou situação estímulo, para que se processe a aprendizagem. Muitas vezes, a comunicação não se efetiva devido à ausência de um foco de interesse. O professor fala e os alunos fazem ou pensam outra coisa. Ajuste a mensagem às condições dos alunos Você conhece seus alunos? Certamente sua turma é heterogênea. Você conhece seus alunos individualmente? Qual o nível intelectual, escolar, sócio-cultural, e espiritual da sua classe? E quanto ao nível vocabular? E quanto a experiência cristã? “Você sabe como seus alunos se relacionam com a comunidade onde vivem?” “Conhece seus interesses, suas dificuldades e dúvidas?” “Sabe algo sobre seu desempenho nos estudos seculares ou no trabalho?” “Mantém boas relações com suas famílias?” “Conhece algum problema em particular em suas vidas?” “O que poderia dizer sobre seus testemunhos? “Há alguma coisa especial de que necessitam?” “Você está disposto a passar mais tempo com eles para guiá-los, instruí-los, consolá-los e desfrutar de sua amizade?” “Tem você orado com e por eles?” Avalie o potencial de sua classe Faça um pré-teste no início de cada lição ou trimestre. A avaliação prévia ou diagnóstica tem por objetivo verificar o que a classe não sabe ou até que ponto conhece a matéria. Tarefas muito difíceis, confusas, ou muito fáceis não despertam o aluno para a ação. O aluno possui possibilidades de vocabulário que necessitam ser consideradas pelo professor. Só existe aprendizagem se o aluno modifica seu comportamento. Entretanto, ele não modificará seu comportamento se não possuir a base necessária para tal. As experiências dos alunos permitem ou facilitam a nova aprendizagem? Possuem eles capacidade para entender o que o professor está informando ou pretende informar? Organize a mensagem equilibrando conhecimentos novos com antigos. Se tudo que se pretende transmitir já é conhecido do aluno, não há razão para a comunicação. Bem como, se a mensagem for totalmente estruturada com elementos novos o aluno não terá capacidade de apreendê-la. Recapitule! Recapitular envolve três tempos: Explica o que vai ser estudado; reforça o que está sendo ensinado e revisa o que foi ensinado. Quando recapitular? No início da aula, após cada ponto importante, ao final da lição ou no término de uma série de lições sobre um mesmo tempo. Estabeleça uma seqüência permitindo que o aluno avance progressivamente até à assimilação da informação. Para chegar ao domínio de conceitos complexos, é necessário partir do exame de conceitos ordinários, sejam estes dominados ou não pelos alunos. Seja conciso em sua exposição Expor as idéias em poucas palavras é uma virtude extremamente necessária à práxis docente. Nos desligamos facilmente quando ouvimos pessoas prolixas. Aquelas que dizem muita coisa, porém, inútil e irrelevante. Desenvolva uma linguagem natural. Isto é, que seu comportamento verbal seja claro, consistente e coerente, expressando idéias bem conectadas. Utilize a linguagem didática O que é linguagem no ensino? O que é linguagem didática? A linguagem é o principal recurso de comunicação de que o professor se utiliza para ministrar informações, prestar esclarecimentos aos alunos e orientar-lhes todo o processo de aprendizagem. A linguagem didática se distingue tanto do linguajar vulgar, indisciplinado e quase sempre incorreto, como do estilo solene e formalizado. A linguagem didática situa-se a meio termo entre estes dois extremos. Características: Instrutivas e educativas Instrutivas: Em relação ao estilo e elocução Quanto ao estilo, a linguagem deve ser: 1) Simples, natural e fluente (vacilante, tortuosa, rebuscada). 2) Sóbria, direta e incisiva (sem rodeios). 3) Clara e acessível (sem termos difíceis, pouco usados e incompreensíveis; neologismos, excesso de termos técnicos). 4) Exata e precisa (sem ambigüidades, indecisões ou equívocos). 5) Gramaticalmente correta. Quanto à elocução, a linguagem dever ser: 1) Bem articulada e com boa dicção. 2) Enunciada com voz clara e firme. 3) Animada, expressiva e enfática. 4) Evitar maus hábitos, tais como: “hã”, “entendeu”, “muito bem”, interpolados com intervalos freqüentes. Obs: O uso de tais enchimentos é, em geral, uma reação nervosa e reflete uma tentativa oral de tomar tempo para os processos mentais do professor. Educativas: 1) Educar o ouvido dos alunos à boa linguagem, correta e expressiva. 2) Desenvolver nos alunos a apreciação e o bom gosto pela linguagem correta e apurada. 3) Formar nos alunos o hábito de falar com desenvoltura, clareza e correção. Domine a arte de ouvir O professor necessita ouvir com interesse e atenção. A audição inteligente é ainda facilitada quando atentamos para a fisionomia e para a gesticulação de quem fala. Concernente a esta séria questão, gostaria de contar aos meus leitores um episódio que me ocorreu quando lecionava em determinado seminário do Rio de Janeiro: Certa noite, entusiasmado com minhas observações sobre saber ouvir”, decidi fazer uma experiência com meus alunos do curso teológico. No transcurso de uma interessante aula, interrompi abruptamente minha preleção e disse: “Por hoje, é o bastante! Imediatamente depois, fiz duas perguntas: – No que é que vocês estavam pensando quando interrompi a aula? – O que é que eu estava falando? Não sendo possível detalhar o resultado da minha decepcionante pesquisa, contento-me em apenas informar aos leitores minha infeliz pasmaceira: apenas 28% dos meus alunos, de fato, me ouviam. Os outros, como diriam meus filhos, estavam em “off”, completamente desligados. Um dos maiores problemas de comunicação, tanto a de massa como a interpessoal, é como o receptor capta uma mensagem. Raríssimas são as pessoas que procuram ouvir exatamente o que a outra está dizendo. Ouvir depende de concentração. Ouvir é perceber através do sentido da audição. Escutar significa dirigir a atenção para ouvir. Enquanto uma pessoa normal fala, em média 120 a 150 palavras por minuto, nosso pensamento funciona três ou quatro vezes mais depressa. Conseqüentemente surge um mal hábito na audição. Muitas pessoas estão de tal forma ansiosas em provar sua rapidez de apreensão, que antecipam os pensamentos antes de ouvi-los dos lábios do interlocutor. Isso ocorre quando ouvimos a famigerada exclamação: “Já sei o que você vai dizer!” Ouvir, portanto, é muito raro. É necessário limpar a mente de todos os ruídos e interferências do próprio pensamento durante a fala alheia. Ouvir, implica uma atenção irrestrita ao outro. Daí a dificuldade de as pessoas com raciocínio rápido efetivamente ouvirem. Sua inteligência em funcionamento, seu hábito de pensar, avaliar, julgar e analisar tudo, interferem como um ruído, na plena recepção daquilo que lhe está sendo falado. Às vezes, imaginamos ter tanta coisa “interessante” para dizer, nossas idéias são tão originais e atrativas que é um castigo ouvir. Queremos falar. Falando aparecemos. Ouvindo nos omitimos. Só ouvir, acreditamos, dá aos outros uma impressão desfavorável de nossa inteligência. Por isso falamos, mesmo nada tendo a dizer. Porém não é esse o conselho bíblico. É melhor ouvir que falar. “...mas todo homem seja pronto para ouvir, tardio para falar...” (Tg 1.19). É através dos sentidos que a alma humana comunica-se com o mundo. No ato de ouvir, percebemos e identificamos os sons pelo sentido da audição. Ouvindo atentamente interpretamos e assimilamos o sentido do que percebemos. Não é de hoje a dificuldade que as pessoas têm de ouvir atentamente o que os outros falam. O próprio Senhor Jesus discorreu sobre o tema quando explicava a seus discípulos a razão de falar-lhes por parábolas. Naquela ocasião, o Mestre usou a seguinte expressão: “Quem tem ouvidos para ouvir, ouça...” (Mt 13.9). Segundo Champlim essa expressão, inclusive usada por Jesus outras vezes, sob diferentes circunstâncias (Mt 11.15; Mc 4.9,23; Ap 2.7,11,17,29; e 3.6,13,22), era um ditado comum entre os judeus, empregado especialmente pelos rabinos. “O adágio era usado para chamar a atenção sobre a importância do ensino apresentado, o sentido oculto do ensino e a total compreensão do que fica subentendido no ensino. Jesus queria dizer que seus ensinos deveriam ser ouvidos com atenção e diligência, e que por ausência disso, muitos não poderiam compreendê-lo”. Naturalmente que os ouvidos foram feitos para ouvir. Jesus usou o pleonasmo para realçar seus verdadeiros propósitos. Não era suficiente apenas ouvir no sentido de identificar os sons das palavras, era necessário interpretar o sentido delas para praticá-las. Significa: ter ouvidos com capacidade para ouvir e entender os mistérios de Deus. Jesus estava dizendo que, falando por parábolas, nem todos teriam capacidade de ouvir e compreender o pleno sentido de suas palavras. “Ouvindo, não ouvem, nem compreendem” (Mt 13.13). Ouviram com os seus ouvidos os seus ensinamentos, mas permaneceram surdos para as suas implicações. Isto porque a eficiência do aprendizado, através da audição, depende da predisposição da pessoa. Ou seja, a atitude mental de quem ouve é imprescindível. Deus outorgou ao homem meios para conhecer a personalidade divina, mas o uso desses meios não é obrigatório. Os indivíduos, por sua própria vontade, podem “fechar” seus ouvidos. Infelizmente, em nossas igrejas, muitos ouvem a pregação da Palavra de Deus apenas para cumprir um protocolo eclesiástico. Conforme o dito popular, as palavras “entram por um ouvido e saem por outro” sem sequer serem compreendidas racionalmente. Que dirá refletidas e interiorizadas pela alma e espírito. CONCLUSÃO A emissão, transmissão e recepção do conteúdo didático são componentes da rede de comunicação entre professores e alunos. É necessário enfatizar que da excelente comunicação dependem não só a aprendizagem, mas também a admiração mútua, a cooperação e a criatividade em sala de aula. O professor, que também pretende ser bom comunicador, precisa desenvolver empatia, ou seja, colocar-se no lugar do aluno e, com ele, procurar as melhores respostas para que, ao mesmo tempo que aprende novos conteúdos, desenvolve sua habilidade de pensar. 
Marcos Tuler é pastor, pedagogo, escritor, conferencista e Reitor da FAECAD (Faculdade de Ciência e Tecnologia da CGADB) 





Fonte:http://adpinheiros.com.br/portal/?pg=noticia&id=764

terça-feira, 5 de julho de 2011

Conversa entre os Pais, Professores e a Escola..



Como os pais podem estimular a responsabilidade pelos deveres de casa sem culpa...
As sugestões a seguir deverão ajudá-lo a cultivar a característica de responsabilidade de seu filho e a evitar problemas com trabalhos escolares que podem ser difíceis de corrigir mais tarde.

1. Anime a aprendizagem e a responsabilidade na idade pré escolar
Escute atentamente a conversa de seu filho. Estimule-o a pensar por si só. Leve seu filho à biblioteca e leia regularmente para ele. Assistam programas educativos juntos, e falem sobre eles. Seja um modelo a ser seguido, que lê, acha a aprendizagem emocionante, gosta de resolver problemas e tentar coisas novas. Peça a seu filho em idade pré escolar para que o ajude com os afazeres (por exemplo, limpar a mesa ou guardar a roupa limpa).

2. Mostre a seu filho que está interessada em seu rendimento escolar.
Pergunte a seu filho como foi o dia na escola. Observe e faça comentários positivos sobre os trabalhos que seu filho traz para casa. Reforce os pontos fortes de seu filho em seu boletim escolar. Manifeste interesse pelos livros que ele está lendo. Ajude-o a freqüentar a escola regularmente; não deixe que ele falte às aulas por doenças de pequena importância. Freqüente as reuniões escolares entre pais e mestres e converse com seu filho sobre elas. Se estiver desanimado, ao invés de transmitir isto a seu filho, programe uma reunião com o professor.

3. Apóie as recomendações da escola
Demonstre respeito tanto pelo sistema escolar quanto pelo professor, pelo menos na presença de seu filho. As acusações verbais contra a escola podem engendrar em seu filho sentimentos contrários à escola e dar a ele um pretexto para não se esforçar. Mesmo quando não estiver de acordo com uma política da escola, deverá estimulá-lo a cumprir as regras da escola, assim como precisará cumprir às regras mais amplas da sociedade.

4. Deixe claro que o trabalho escolar é entre seu filho e seu professor.
Quando seu filho começar a freqüentar a escola, deverá compreender que os deveres de casa, os trabalhos escolares e as notas são questões estritamente entre ele e seus professores, que deverão estabelecer as metas para atingir um melhor aproveitamento escolar. Seu filho deve sentir-se responsável pelo êxito e pelos fracassos na escola. Os pais que se sentem responsáveis pelo aproveitamento escolar de seus filhos abrem a porta para que seu filho passe a responsabilidade disto para os pais.

5. Não se torne responsável pelo dever de casa
O costume de perguntar se tem dever de casa, de ajudá-lo todas as noites, de revisar os deveres terminados ou de ajudá-lo a estudar itens que ele tenha mais dificuldades indicam que você não confia nele. Se fizer o dever de casa de seu filho, ele terá menos confiança em si mesmo. Se seu filho lhe pede ajuda no dever de casa, ajude-o apenas no problema específico, explicando a pergunta e sem dar a resposta. O principal objetivo do dever de casa é ensinar a seu filho como trabalhar por conta própria.

6. Não imponha um tempo para estudar
Marcar um tempo fixo para que seu filho faça os deveres é desnecessário e é percebido como pressão. O mais importante é proporcionar um lugar tranqüilo com uma escrivaninha, uma mesa confortável, e com boa iluminação. Se for o caso, a única regra deverá ser "não assista televisão até terminar os deveres de casa". Aceite a palavra de seu filho de que a tarefa está pronta sem revisá-la. Para os compromissos a longo prazo, ajude seu filho a organizar seu trabalho algumas vezes, se tiver impressão que ele está confuso. Ajude-o a calcular quanto tempo ele acha que vai demorar para terminar o trabalho e redigir uma lista dos dias em que trabalhará no projeto.

7. Solicite ajuda especial para crianças com problemas de aprendizado.
Algumas crianças têm problemas de aprendizado, que interferem com a aquisição de algumas habilidades básicas (por exemplo, a leitura). Neste texto, estamos considerando que seu filho não tem limitações de aprendizado. Se uma criança com uma incapacidade para ler, se atrasa muito na classe, a criança pode perder a confiança em sua capacidade de realizar os trabalhos da escola. Se você tiver preocupações a respeito da capacidade de aprendizado de seu filho, solicite uma reunião com a professora dele e questione a respeito de uma avaliação da equipe de educação especial. Com ajuda adicional, as crianças com limitações de aprendizado podem conservar sua auto-estima e sua sensação de capacidade.

Fonte:http://educandoecriando.blogspot.com/2009_10_17_archive.html

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Racismo em ambiente escolar



Infelizmente ainda assistimos a casos de racismo nas escolas, principalmente no primeiro e no segundo ciclo. Se tivermos em conta que as crianças e adolescentes nestas idades ainda não têm opiniões próprias formadas, podemos afirmar que esta situação se deve a pais maus educadores. Os pais dão muito mimo aos filhos incentivando-os de maneira a que estes se pensem melhores que os colegas e influenciam-nos com as suas ideias racistas.Deixamos aqui um apelo aos educadores e aos futuros educadores para que tenham sempre a preocupação de ensinarem aos filhos desde pequenos que somos todos iguais e não escolhemos para nascer nesta ou naquela raça, e ainda que os meninos nesta idade quando sofrem rejeição por parte dos colegas ficam traumatizados.


Fonte:http://anti-raciismo.blogspot.com/2011/05/racismo-em-ambiente-escolar.html

O aluno como agente ativo do processo educacional

Muito se tem falado acerca do papel do professor (peça essencial do processo ensino/aprendizagem) embora sejam também relevantes os demais funcionários que de forma menos direta também educam. Entretanto, para o bom funcionamento da dinâmica educacional, é preciso levar em conta o papel do aluno, dando a ele lugar de destaque, por poder fazer bons educadores ao momento que desperta nesses o real desejo de ensinar.
Uma boa remuneração ao professor impactaria diretamente na qualidade do ensino (podendo ajudar a tornar a profissão atrativa aos jovens que estão ingressando no mercado de trabalho e promovendo o desejo de permanência em quem já está inserido no contexto) mas o corpo discente é quem constrói o educador a partir dos desafios em que os coloca e dos estímulos participativos nas aulas, incentivando-os ou não.
Infelizmente é mais comum ver professores desestimulados com a profissão por conta da falta de interesse dos alunos, o que associado a outros fatores acabam por favorecer a não realização do seu trabalho da melhor forma ou até mesmo levam esses profissionais a desistir da carreira.
O aluno é “lubrificação” do processo educativo. Tem a capacidade de criar, transformar ou manter o professor ativo em busca de investigações, formação continuada, aperfeiçoamento da práxis, ampliação da visão enérgica da Escola, recorrendo a novos conhecimentos, habilidades e outros itens que refletem na qualidade da Educação. O triste é que muitas vezes os estudantes optam por promover exatamente o contrário, sem se dar conta de que o aluno carrega consigo a raiz do desejo a ser regada pelo professor e aí reside o dinamismo educacional, vez que é preciso querer aprender, querer ensinar e fazê-los com prazer. Dessa maneira ambos aprendem e ensinam.



Fonte:http://aquitemeducacao.blogspot.com/2010/04/o-aluno-como-agente-ativo-do-processo.html

domingo, 3 de julho de 2011

ERA UMA VEZ...



ERA UMA VEZ...



         Um bom pai que propôs ao filho que se melhorasse o comportamento na escola e mostrasse melhor aprendizado, no final ganharia um bonito carro do ano.
         Diante da proposta do pai, o filho mudou da água para o vinho.
         Estudou muito, chegou à faculdade de medicina, surpreendendo a todos.
         Essa mudança toda estava voltada no interesse do carro. Por isso um dia chegou o momento da festa da formatura. Tudo estava perfeito, quando o pai pediu a palavra e elogiando o filho por ter alcançado tão honroso diploma, passou às mãos do filho uma caixa de presente.
         Crendo que ali estava as chaves do carro, o filho emocionado abriu a caixa de presente e encontrou a Bíblia. Decepcionado nada isse.
         Sentindo-se traído, saiu de casa, esquecendo seu pai por muito tempo.
         Todas as tentativas foram feitas para que este filho voltasse para o convívio da família. O tempo passou. O pai adoeceu, não resistiu e faleceu.
         A partir daí, o filho volta para casa ao lado da mãe, que entregando-lhe a Bíblia que havia ganho naquela festa de formatura, novamente abriu a caixa, e manuseando a Bíblia encontrou entre as folhas um cheque e um bilhete que dizia:
        
        
         “Meu filho, sei o quanto você desejava ter um carro. Eu prometi e aqui está o cheque para você escolher aquele que mais gostar. No entanto, fiz questão de lhe dar uma Bíblia Sagrada. Nela aprenderás o amor de Deus e a fazer o bem, não pelo prazer da recompensa, mas pela gratidão e pelo dever da consciência”.
Corroído pelo remorso, o filho em profundo pranto de arrependimento, por não ter percebido no silêncio do pai, o grande ensinamento de vida na vivência da palavra de Deus.

Sinais Precoces do Autismo


Características clínicas do autismo no Recém nascido
  • parece diferente dos outros bebês
  • parece não precisar de sua mãe
  • raramente chora (“um bebê muito comportado”)
  • torna-se rígido quando é pego no colo
  • às vezes muito reativo aos elementos e irritável
Características clínicas do autismo no Primeiro Ano
  • não pede nada, não nota sua mãe
  • sorrisos, resmungos, respostas antecipadas são ausentes ou retardados
  • falta de interesse por jogos, muito reativo aos sons
  • não afetuoso
  • não interessado por jogos sociais
  • quando é pego no colo, é indiferente ou rígido
  • ausência de comunicação verbal ou não verbal
  • hipo ou hiper-reativo aos estímulos
  • aversão pela alimentação sólida
  • etapas do desenvolvimento motor irregulares ou retardadas
Características clínicas do autismo no Segundo e o Terceiro Anos
  • indiferente aos contatos sociais
  • comunica-se mexendo a mão do adulto
  • o único interesse pelos brinquedos consiste em alinhá-los
  • intolerância à novidade nos jogos
  • procura estimulações sensoriais como ranger os dentes, esfregar e arranhar superfícies, fitar fixamente detalhes visuais, olhar mãos em movimentos ou objetoc com movimentos circulares.
  • particularidade motora: bater palmas, andar na ponta dos pés, balançar a cabeça, girar em torno de si mesmo
Características clínicas do autismo no Quarto e o Quinto Anos
  • ausência do contato visual
  • jogos: ausência de fantasias, de imaginação, de jogos de representação
  • linguagem limitada ou ausente – ecolalia – inversão pronominal
  • anomalias do ritmo do discurso, do tom e das inflexões
  • resistência às mudanças no ambiente e nas rotinas
Retirado do site:http://autimistas.com.br/web/autismo/artigo/sinais-precoces-do-autismo
http://associaoautistafsa.blogspot.com/2010/06/sinais-precoces-do-autismo.html

A COMUNICAÇÃO NO ESPECTRO AUTISTA


No Espectro Autista, sempre podem ser observados prejuízos na área da comunicação e linguagem, embora estas manifestações possam ser muito distintas, dependendo do quadro de que se trata, dentro do contínuo do espectro. Esses prejuízos também podem se manifestar de forma distinta entre os transtornos classificados nesta categoria e até mesmo entre indivíduos com o mesmo transtorno.

Muitas pessoas com Espectro Autista, mesmo aquelas com Transtorno Global do Desenvolvimento, podem desenvolver uma linguagem que apresenta semelhança à de mais pessoas da mesma língua. Entretanto, o desenvolvimento dessa linguagem comumente é tardio e apresenta peculiaridades em relação àquela desenvolvida pelas pessoas que não apresentam o Espectro Autista.

Os prejuízos na comunicação e na linguagem podem ser manifestados como mutismo, atraso na aquisição, ecolalia, inversão pronominal, simplificação sintática, rigidez semântica, peculiaridades prosódicas, preferência por funções imperativas, literalidade na interpretação, entre outras. Assim sendo, entre os alunos com TGD que recebemos em nossas escolas, podemos encontrar crianças com nenhuma comunicação verbal e não verbal, com verbalização de palavras isoladas, com linguagem estereotipada, fazendo uso da repetição de frases e da entonação ouvida de outras pessoas ou de personagens, com linguagem correta do ponto de vista sintático, mas com pautas estereotipadas e pouco contextualizadas, dificuldades de interpretação semântica, entre outras.


Baseando-nos nas descrições de Rivière (1997), temos como alterações das funções comunicativas:

Ausência de comunicação;

Realização de atividades de pedir com uso instrumental de pessoas e não de signos. Ex.: Pede levando a mão de outra pessoa ao objeto desejado, mas não usa gestos ou palavras para expressar seus desejos;

Realização de atividades de pedir através de palavras, símbolos ou gestos aprendidos em programas de comunicação, para obter mudanças no mundo físico. Ausência de comunicação com função ostensiva ou declarativa;

Emprego de condutas comunicativas de declarar que não só buscam alterações no mundo físico. Há escassez de declarações capazes de qualificar subjetivamente a experiência autoreferida, e a comunicação tende a ser pouco recíproca e pouco empática.

No campo da linguagem receptiva:

Ignora a linguagem, não responde a ordens, chamadas ou indicações lingüísticas dirigidas a ela. Em algum momento do desenvolvimento, provoca a falsa suspeita de surdez;

Associa os enunciados verbais às condutas próprias, compreende ordens simples, associando sons a contingências ambientais ou comportamentais. Não implica a assimilação dos enunciados a um código ou a interpretação deles a um sistema semântico-conceitual;

Compreende os enunciados, analisando-os ao menos parcialmente. A compreensão é literal e pouco flexível. Os processos de inferência, coerência e coesão da compreensão do discurso são muito limitados. Tendência a atender às interações verbais, quando dirigidas a ela própria, de forma muito específica e diretiva;

Compreende planos discursivos da linguagem, embora haja alterações sutis no processo de diferenciação entre o significado intencional e o literal e de apreensão de variáveis interativas e contextuais.

Do ponto de vista da linguagem expressiva:

O mutismo pode ser total ou funcional. Mutismo funcional é a presença de verbalizações que não têm a função de comunicar;

Linguagem predominantemente ecolálica, sem criação formal de sintagmas ou orações;

Linguagem oracional, não predominantemente ecolálica, que implica algum conhecimento de regras lingüísticas. Não chega a configurar um discurso ou atividade de conversação. Pode haver muitas emissões irrelevantes;

Linguagem discursiva. As pessoas neste nível podem ter consciência de sua dificuldade para encontrar temas de conversação e para transmitir informação significativa. Podem começar e terminar conversações de forma abrupta e dizer coisas pouco apropriadas ou relevantes socialmente.

O objetivo ao disponibilizar as descrições acima é proporcionar uma melhor identificação, pelos professores, dos aspectos da comunicação e linguagem desenvolvidos ou não por seu aluno com TGD ou Espectro Autista. Entretanto, tais aspectos não são absolutamente estáticos. Tivemos a oportunidade de observar crianças que, ao ingressar na escola, apresentavam ausência de linguagem e realizavam atividades de pedir através do uso instrumental das pessoas e que, por meio da experiência no ambiente social da escola e da mediação dos professores e colegas, passaram a utilizar verbalizações nas atividades de pedir, abandonando o uso instrumental de outra pessoa.

Para atuar com estas crianças na escola, é importante não perder de vista que a ausência ou as peculiaridades da comunicação e linguagem não são aspectos isolados ou mesmo causais do Transtorno.

O desenvolvimento da competência de fazer uso da comunicação e linguagem é resultante de funções cognitivas desenvolvidas por meio das experiências afetivas, sociais e da relação com o ambiente e da repercussão destas na circuitação cerebral. Os prejuízos na Função Executiva e Cognição Social, identificados nas pessoas que apresentam TGD, tornam o campo da comunicação, em função da flexibilidade mental exigida no desenvolvimento desta e no seu uso funcional no meio social, muito mais desafiador e menos acessível para elas do que para as demais pessoas.

Assim sendo, estabelecer estratégias na escola ou no Atendimento Educacional Especializado neste campo das funções mentais requer que se leve em consideração os prejuízos no campo da flexibilidade mental, as dificuldades de realizar a antecipação e de imprimir sentido àquilo que não se repete, portanto de atribuir sentido e produzir algo com sentido novo. Em outras palavras, é preciso compreender que as dificuldades de comunicação e linguagem se devem, neste caso, ao fato de que o campo da comunicação humana e do discurso é por essência mutante e permanentemente produtor de novos sentidos e de sentidos metafóricos. Somado a isso, este campo exige a apreensão de sentidos e intenções inferidos a partir de atitudes e expressões faciais e corporais nos outros indivíduos, além da atenção compartilhada, competências difíceis para pessoas com TGD, em decorrência dos prejuízos na Teoria da Mente.

Neste texto, serão abordados estratégias voltadas para alunos com TGD, que apresentam ausência de comunicação verbal, por entendermos que são aqueles que mais desafiam a escola na organização do trabalho pedagógico.

No âmbito da educação escolar, o trabalho envolvendo estratégias voltadas para a comunicação e linguagem junto às crianças com TGD não tem por objetivo o implemento de metodologias estruturadas já existentes para este fim, pois tais metodologias são do campo terapêutico, para pessoas com autismo ou outros transtornos que afetam estas funções. Uma vez que estivermos trabalhando com algum aluno que receba atendimento desta natureza, a interlocução com estes terapeutas poderá ser interessante se estiver pautada na troca de impressões, relatos e avaliação do desenvolvimento do aluno, sem que se perca de vista as especificidades de cada campo de atuação neste desenvolvimento.

Na educação escolar, as estratégias de comunicação encontram-se entrelaçadas com objetivos de proporcionar a antecipação da rotina escolar, a ampliação progressiva da flexibilidade da criança mediante as mudanças na rotina ou no ambiente, além, obviamente, de ampliar a possibilidade de acesso deste aluno à linguagem receptiva e expressiva. Assim, podemos presumir que essas estratégias deverão estar estruturadas em prol de situações reais a serem experimentadas pela criança, no cotidiano escolar, provocando o desenvolvimento cognitivo a partir da destinação de sentido real ao seu uso.

Uma estratégia que poderá ajudar é a utilização de recursos de apoio visual confeccionados pela escola, já que devem ser criados, com base no seu cotidiano, junto ao aluno, para serem associados, ao se dirigir a ele, a fim de comunicar-lhe sobre o que é esperado dele, o que acontecerá em seguida na rotina escolar e para oferecer-lhe o atendimento às suas necessidades ou a oportunidade de fazer escolhas. Tais recursos podem ser fotos de locais ou do aluno em diferentes momentos e espaços do cotidiano da turma, de objetos que indiquem necessidades básicas. Além de fotos, os objetos em si poderão facilitar a comunicação com o aluno.

Na comunicação com o aluno, em qualquer situação (antecipar o que acontecerá a seguir, oferecer escolhas ou atendimento às necessidades, orientar quanto a procedimentos e conduta esperados, entre outros), com uso de material de apoio visual, deve estar sempre presente a verbalização objetiva.

É preciso, ao comunicar-se com o aluno com TGD, acreditar no entendimento dele do que está sendo dito e nas suas reais condições de orientar-se a partir daí. Nunca se deve deixar de se dirigir oralmente a esse aluno pelo fato de ele não falar ou reagir às nossas intervenções.

Nas observações feitas nas escolas, verificamos que recursos deste tipo funcionam melhor quando são utilizados também pelos pares. Por isso, é importante ajudar a turma a perceber os procedimentos que estão sendo utilizados e tornar o material confeccionado acessível a eles para uso. O material, então, deve ser confeccionado levando-se em consideração a necessidade de ser de fácil manipulação e resistente ao uso cotidiano.

Apesar de recursos visuais, apresentação de objetos e comunicação objetiva, simples e direta, serem facilitadores para a criança com TGD, é preciso assegurar que o uso deles não artificialize as relações com o aluno no interior da escola. É fundamental que o cotidiano do aluno não se torne inflexível e rígido e que os pares possam criar estratégias próprias de intervenção com o colega, para que ele tenha oportunidade de ampliar sua flexibilidade mental e desenvolver novas competências. A alternância entre situações previstas e organizadas e aquelas próprias do meio social, mais flexíveis e imprevistas, tem se mostrado eficaz no aparecimento de novas habilidades cognitivas de convivência e comunicação na conduta do aluno com TGD.

A utilização de recursos visuais de apoio poderá não ser eficaz desde o início, se a criança não tem o hábito anterior de utilizá-las. Entretanto, se a escola conseguir que algumas situações sejam mediadas por recursos desse gênero, a oportunidade de que a criança adquira a habilidade de utilizar-se dos símbolos e representações, futuramente, estará ampliada.